sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Cidade Natal


Igreja do Embaré em 1945






. Av. Ana Costa, Santos, em 1942.



Sempre gostei de viajar, e de fotografar. Gosto de me preparar para as viagens, procurando saber como é o lugar que vou visitar. Talvez, por isso, sempre goste dos lugares que visito, pois não espero nada mais do que o lugar pode me oferecer. Como resolvi transformar esse fotoblog em um blog de fotos de lugares por onde passei, e das memórias sobre os lugares, devo começar falando sobre Santos.

Até meus 8 anos de idade, só conhecia Santos, minha cidade natal, e São Vicente, cidade grudada em Santos, e onde havia a Sorveteria Paulista, com seus sorvetes deliciosos, entre os quais o inesquecível "Pezzi Duri". Quem nos levava nessa sorveteria eram nossas primas mais velhas, Nenena e Dinha.
Nasci em casa, num sobradinho da Rua Paulo Moutinho 24, que meu pai havia construído para morar depois de casado. Ficava exatamente atrás da casa da Av. Conselheiro Nébias 257, onde moravam minha avó materna (quando nasci meu avô já havia falecido), tias e um tio. Antes de completar um ano, mudamos para uma casa maior, na Av. Conselheiro Nébias 263. Nessa ocasião éramos 4 irmãos, sendo eu a única mulher. Tanto a casa da minha avó, como a nossa, tinham um quintal muito grande, com árvores frutíferas e plantas baixas. Da casa da minha avó lembro de uma ameixeira e de um pé de abio. O abio, quando maduro, era uma delícia. Para comê-lo, fazíamos um corte no meio, tirávamos o caroço comprido, e servíamo-nos da polpa. Quando não estava bem maduro, a polpa ¨pegava¨. Hoje, parece que é uma fruta extinta. Nunca mais ouvi falar dela, e muitos dicionários sequer fazem referência ao abio. Do nosso quintal, lembro de ver casulos de bicho da seda e das ¨cabaninhas¨ que meus irmãos mais velhos construíam. 
Nossa vida era em casa, com brincadeiras entre os irmãos e alguns amigos que moravam na vizinhança. Ìamos à casa da nossa avó, ao circo da esquina (quando ele ali estava montado), algumas vezes à praia (muito espaçadamente), à Igreja do Coração de Jesus e às matinês dos cinemas próximos : São José e D. Pedro. Nessa época, eu pouco fui ao cinema, pois vivi ali somente até meus 8 anos e três meses. Mas lembro que na Semana Santa eu era levada para assistir ao filme ¨Nascimento, Vida, Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo¨. Todos os anos, esse mesmo filme era repetido, e lá iam as crianças para vê-lo novamente. Aliás, a Semana Santa era marcada por esse filme, pelas procissões, pelo recolhimento na 6ª feira Santa (nem o rádio podia ser ligado) e pela malhação do Judas (às 12 horas do sábado). Não lembro de qualquer celebração diferente no domingo de Páscoa, a não ser da missa festiva. Acho que o coelhinho da Páscoa ainda não tinha nascido.  Também lembro de ter saído como ¨anjinho¨ em procissões, nesse tempo em que moramos na Conselheiro Nébias, com asas lindas de plumas, que haviam sido de minhas primas mais velhas. Nessa casa, nasceram os três irmãos que me sucederam, Carlos, Lourdes e Norminha. Quando nasceram os dois últimos, já morávamos em outros lugares.
A casa da minha avó era muito grande, e tinha um porão alto com diversas salas. Lá funcionava o Instituto Musical Santa Cecília, fundado por uma das minhas tias. Era uma época em que o estudo de piano ocupava um lugar importantíssimo na educação das meninas e moças, e o Instituto teve um papel de destaque na cultura da cidade. Depois de alguns anos, ele passou a ocupar a casa inteira da Conselheiro Nébias 257, que havia sido construída por meu avô. Desde muito pequena eu freqüentava o Instituto, e comecei a aprender a tocar piano com 5 anos.
Fiz meus primeiros anos escolares no Instituto Educacional, que também ficava na Av. Conselheiro Nébias, um pouco antes da linha da máquina. Lá aprendi a ler e a escrever. Minha primeira professora foi a Dª Judith Aulicino. Terminei o 2º ano do antigo Curso Primário, no Instituto Educacional e, em fevereiro de 1946, mudamos para São Paulo. Meu pai estava trabalhando lá, para onde ia diariamente, de trem, e esperou as férias escolares para levar a família. Muitas vezes, quando voltava do trabalho em São Paulo, ele nos trazia balas deliciosas. Lembro das almofadinhas, dos ¨homenzinhos¨, das paulistinhas. Fomos para São Paulo pela antiga rodovia, Estrada do Mar, numa perua grande do Expresso Zefir.
 
São dessa época, dos meus primeiros anos de vida, as fotos aqui colocadas.


Hotel Atlântico em 1945

2 comentários:

Priscila Sérvulo disse...

Lindas as fotos. A da Igreja do Embaré está demais. Vocês já moravam na região, em 1945?
beijo, Pri

Heloísa disse...

Oi, Pri,
Mudamos para a rua Padre Visconti, ao lado da Igreja, em 1954. Mas o local ainda tinha essa aparência da foto. Aos poucos foram sendo construídos os prédios.
bjs