domingo, 26 de outubro de 2008

Salto no tempo

Minha intenção inicial, nesse blog, era ir relatando os lugares por onde passei, e postando fotos da época.

Até agora segui esse roteiro, e meu último post foi sobre Brasília, que conheci no distante ano de 1963.

Ontem, organizando algumas fotografias, vi imagens da minha última viagem, realizada em abril desse ano, para conhecer a Patagônia. Foi então que pensei: por que não intercalar o passado com o presente? As imagens e os fatos estão bem mais próximos, o que facilita o trabalho, e penso que assim talvez consiga atingir meu objetivo de fazer um apanhado sobre os roteiros de lazer da minha vida.

Diante disso, vou intercalar as lembranças, ou colocá-las conforme forem surgindo, por um motivo, ou outro.

Começando, vou dar um salto de 1963 para 2008, de Brasília para a Terra do Fogo. Em 1963, a viagem tinha sido toda de ônibus. A da Patagônia foi por terra, ar e mar.

Esse foi o roteiro do nosso cruzeiro, de Buenos Aires a Valparaíso, no Chile:


Voamos de São Paulo até Buenos Aires e lá embarcamos num navio maravilhoso, que por si só era um lazer total (Star Princess, abaixo).


Do porto de Buenos Aires, navegamos para Montevidéu ( essas duas capitais merecerão fotos e comentários oportunamente) e, de lá, para as Ilhas Falkland (ou Malvinas, para os argentinos). Desembarcamos em Port Stanley, uma cidade muito pequena (parece ser a única do arquipélago), tranqüila, com um vento geladíssimo e vegetação somente rasteira. A atração do local é o pingüim, alto e com amarelo em torno do pescoço. Infelizmente não conseguimos ver nenhum ao vivo. Parece que chegamos tarde, fora da temporada dos pingüins. Mas vimos outros, de todos os tipos, tamanho e material, e eu até comprei uns de lembrança. Sem dizer que também fomos recepcionados por dois, logo que chegamos na cidade.



Uma das atrações de Port Stanley é a Catedral Anglicana que tem, na sua entrada, um arco feito com ossos de baleia. Por se tratar de uma possessão inglesa, a lingua do local é a inglesa, a moeda é a libra. É bem estranho ver um lugarejo inglês, nessa região.


Essa é a Catedral:

Rua principal de Stanley



De Port Stanley, seguimos para Ushuaia, a "cidade do fim do mundo", na Patagônia Argentina. Sua parte central é bem charmosa, sua baía é linda e o Parque Nacional da Terra do Fogo tem uma variedade encantadora de paisagens. No Parque existe a estação da estrada de ferro do Trem do Fim do Mundo, e de um dos seus pontos consegue-se avistar, também, os montes nevados do lado do Chile. Consegui algumas fotos com bons resultados, que estarão colocadas logo depois dos postais de Ushuaia.




Abaixo, fotos tiradas por mim. A 1ª foi tirada do navio, quando estávamos nos aproximando de Ushuaia.


Descendo em Ushuaia
No centro de Ushuaia


Parque Nacional da Terra do Fogo









De volta ao centro

Despedida de Ushuaia
Saímos à noite, de Ushuaia, seguindo na direção do Cabo Horn e do Estreito de Magalhães.

sábado, 18 de outubro de 2008

Brasília



Em julho de 1963, dois anos e três meses após sua inauguração, Brasília passava a idéia de imensidão e de extrema calma.







Os espaços eram enormes, as avenidas largas e sem cruzamentos. Mas não se percebia vida, nenhuma vida.





Para se ver movimento humano, era necessário ir até a rodoviária ou até a avenida W3, lugar onde estava concentrado o comércio.




Estação Rodoviária




Avenida W3






A arquitetura, lindíssima. Completamente diferente de tudo que se conhecia até então.








A Esplanada dos Ministérios e a Praça dos Três Poderes, bem como o Palácio da Alvorada, provocavam um impacto de beleza.

Nessa ocasião, a Catedral era só um esqueleto, com sua área circular e suas 16 colunas de concreto. Quando voltei a Brasília, anos depois, pude conhecer essa outra obra maravilhosa da arquitetura de Brasília.


Brasília Palace Hotel, o primeiro hotel de Brasília, onde me hospedei em 1963.




Todos os postais acima, são do ano de 1963.


Abaixo, fotos do meu acervo pessoal. Por elas pode-se observar como era calma a Capital Federal. Não havia qualquer aparato de segurança. Podia-se andar tranqüilamente pela parte externa dos Palácios e fazer fotografias.


Palácio do Planalto


Palácio da Alvorada

Acho muito curiosa essa foto que tirei pegando um lado dos prédios dos Ministérios e do Senado, aparecendo, também, um estacionamento de automóveis.


"Os Guerreiros", monumento de homenagem aos operários que trabalharam na construção de Brasília (candangos). Pena que o fotógrafo, da ocasião, cortou as cabeças dos guerreiros.


segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Belo Horizonte e cidades históricas de Minas Gerais




Em julho de 1963, tive uma ótima programação de férias : Belo Horizonte, algumas cidades históricas, Brasília e, muito de passagem, Goiânia. Tudo era feito de ônibus, numa época em que as estradas não eram muito boas, mas a juventude era muita.
Em Belo Horizonte, pude ver todos os pontos turísticos da época : Av. Afonso Pena, Palácio do Governo, Avenida da Liberdade, Pampulha, Parque Nacional.





Postais de Belo Horizonte - 1963


Pampulha.


Igreja São José



Praça Rui Barbosa

Das cidades mais próximas a Belo Horizonte, visitei Congonhas (antiga Congonhas do Campo), com um lindo conjunto arquitetônico : a Basílica do Bom Jesus de Matosinhos, seu adro, com as impressionantes esculturas dos 12 Profetas, em pedra-sabão, obras do Aleijadinho, e as seis Capelas da Paixão. As capelas ficam na ladeira fronteiriça à igreja, e contêm 66 (ou 64) figuras esculpidas em cedro, também pelo Aleijadinho, com a ajuda dos pintores Manoel da Costa Athaide e Francisco Xavier Carneiro. As esculturas têm um tamanho aproximado ao de uma pessoa, e estão colocadas em grupos formando cenas da Paixão.



(Crédito - Agência de Notícias Fato Real)

Uma das capelas da Paixão.

Depois de Congonhas, conheci a bela cidade de Ouro Preto, antiga Vila Rica, palco da Inconfidência Mineira e famosa por sua arquitetura colonial. A Praça Tiradentes (antiga praça da Inconfidência), um dos seus pontos turísticos, tem em suas extremidades dois prédios imponentes: o Museu da Inconficência (antiga Casa da Câmara e prisão) eo Museu de Ciência e Técnica (antigo Palácio do Governo e, posteriormente, escola de Minas e Metalurgia).


Praça Tiradentes








Também visitei Sabará, pequena cidade, com a original Capela da Nossa Senhora do Ó, na foto abaixo, tirada por mim em 1963.






Ainda em Minas Gerais, estive na cidade de Cordisburgo, para visitar a maravilhosa Gruta de Maquiné, com uma quantidade enorme de estalactites e estalagmites. Lembro que a viagem até Maquiné foi muito difícil, numa estrada de terra extremamente seca. A viagem durou mais ou menos três horas, num carro abafado (naquela época os automóveis não tinham o conforto do ar-condicionado) e que precisava ficar com os vidros levantados, porque caso contrário a poeira tomaria conta do seu interior. Mas sua visão, com vários salões, fez passar todo o desconforto da viagem.






Ainda nessa viagem, em 1963, visitei uma mina de ouro na cidade de Nova Lima.


Voltei a Minas Gerais em 1967, e novamente em 1977, já de avião, quando pude rever alguns desses lugares numa viagem com meus filhos, então crianças.
De Belo Horizonte segui para Brasília, mas essa é outra história, que logo será contada.



Todos os postais são do ano de 1963. As duas últimas fotos de Ouro Preto foram tiradas por mim, assim como a da Capela em Sabará. As duas fotos em cores foram obtidas pela internet. A foto de uma das capelas da Paixão foi conseguida em exemplar da Agência de Notícias Fato Real, e a da Praça Tiradentes pela Folha on line, sendo o crédito de Silvio Cioffi.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Dando outros passos

Depois de 1956, vivi dois anos em São Paulo e um em Campinas, por motivo de estudo. Durante esses anos, passei a conhecer melhor São Paulo, andando a pé e de bonde. Fazia muito o trajeto da Praça da Sé até a Praça da República, passando pela Rua Direita, Praça do Patriarca, Viaduto do Chá e Rua Barão de Itapetininga.



Na rua Xavier de Toledo (foto acima) havia uma parada de bonde, com diversas linhas, e eu costumava pegar o bonde que ia para Pinheiros, para ir até a casa da minha tia Carminha. Nessa época, além dos ônibus, trólebus, táxis e bondes, também existiam em São Paulo as lotações. Eram carros como os táxis, que cobriam determinados trajetos, com lotação para quatro pessoas.



Lembro muito do Parque D. Pedro , (como está na foto, vendo-se ao fundo o prédio do Banespa). Era realmente um parque, muito arborizado, e completamente diferente do que é hoje. Em uma das suas esquinas havia uma agência do Expresso Brasileiro Santos- São Vicente, de onde saiam os ônibus para Santos. Lembro dos cinemas que frequentávamos, cine República, cine Metro, cine Olido, das competições de universitários: Pauli-Poli, Mack-Med, das lojas da época, Mappin, Clipper, Sloper, Etam, e da Igreja de São Bento.



Bosque dos jequitibás. Foto do Portal (da Internet) da Prefeitura de Campinas.
Já de Campinas, as lembranças mais fortes que tenho são as do Bosque, parque lindo e tranquilo, e da rigidez do pensionato onde morei. Às 22 horas, silêncio total, inclusive com desligamento da energia elétrica.

Depois de Campinas, fui conhecendo outras cidades do interior de São Paulo, como Serra Negra, onde passei uns dias de férias com minha prima Helina, e São Carlos, onde fiz um curso de férias. Nessa época eu era professora.




No ano de 1961, conheci Teresópolis, no Estado do Rio de Janeiro, onde passei alguns dias de férias. Cidade de clima gostoso, paisagem bonita, com destaque para o pico "Dedo de Deus", com 1692 metros de altura.