terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Buenos Aires

Ler sobre Buenos Aires, ouvindo música típica, é um sonho. Aqui, basta clicar na música que quiser. Melhor será, se escutar todas.







Minha primeira viagem internacional foi para Buenos Aires, capital da Argentina, no ano de 1976. Nessa época, estive em Buenos Aires e Bariloche, onde vi neve pela primeira vez.

Voltei diversas vezes para Buenos Aires, sempre de avião, viagem com duração de somente 3 horas, quando sem escalas. Contudo, em janeiro de 2008, lá cheguei de navio. Achei muito curioso. Parecia que tinha saído de casa num pé, e entrado em Buenos Aires com o outro. Como moro em Santos, porto de embarque para o cruzeiro, a sensação que tive é que havia saído de casa para uma pequena volta na cidade, terminando o passeio em outro país. Sou fã de cruzeiros marítimos, desde que se escolha um navio com bons critérios. Nas outras vezes havia ido de avião, o que demanda pegar estrada para São Paulo, atravessar a cidade e seguir mais um pouco até o Aeroporto Internacional de São Paulo. Tudo isso com boa antecedência, para evitar eventuais atrasos provocados pelo trânsito. Depois, todo aquele trabalho para embarques aéreos, e mais espera. Mas, não me queixo. Adoro viajar, e o importante é chegar ao lugar escolhido para viver dias de sonho.

Na minha primeira viagem a Buenos Aires, em 1976, fiz os passeios turísticos mais tradicionais e, como não podia deixar de ser, fui assistir a um show de tango numa das casas famosas da época. Fiquei encantadíssima com os “bandoneons” e com os casais dançarinos. Casa Rosada, Avenida de Mayo, Avenida 9 de Julho, Calle Florida, Caminito, Parque Palermo, foram alguns lugares em que estive naquela ocasião.

"Casa Rosada, na Plaza de Mayo" sede do governo.

"Av. de Mayo".

"Calle Florida"

Caminito


À esquerda, "Av. 9 de Julio", com o Obelisco.

À direita, "Plaza do Congreso". Ao fundo, prédio do Congresso.

Voltei de Buenos Aires encantada com sua arquitetura, e com duas lembranças muito vivas: o som dos ”bandoneons” e o charme das “confiterias”, lugares onde se podia passar algum tempo sentada, simplesmente tomando um cafezinho que sempre vinha acompanhado de um pequena jarrinha de água. Se fosse solicitado, podia haver um acompanhamento de uma “media luna”. Nessa época, embora se tomasse muito “cafezinho” no Brasil, era sempre de pé, encostado/a num balcão, e de forma meio apressada. Aquela forma tranqüila de tomar um simples cafezinho, degustando-o bem e conversando com quem estivéssemos, realmente me encantou. Hoje, felizmente, há inúmeras cafeterias charmosas no Brasil, e posso tirar bastante prazer desse meu gosto.

"Confiteria Ideal"
"Bandaneon", instrumento fundamental para um tango com emoção.

Dez anos depois, 1986, voltei a Buenos Aires. Foi uma viagem muito agradável, e a Argentina já havia se libertado dos anos de governo duro.
Repeti os passeios turísticos e fiz outros, entre os quais a Plaza Dorrego, com a famosa Feira de San Telmo, que acontece aos domingos, e o Bairro da Recoleta, onde estão o famoso Hotel Alvear, a Igreja Del Pilar, e o Cemitério da Recoleta, onde foi sepultada Evita Perón. Nessa ocasião, era esse o bairro onde estavam concentrados restaurantes famosos.


Ainda eram comuns as cafeterias charmosas, algumas de grandes dimensões. E as noites na Avenida Corrientes fervilhavam, com muitos teatros e cinemas. O tango, sempre muito apaixonante. Acho que nessa época é que conheci o tango fantástico de Astor Piazzolla e, numa de minhas últimas idas a Buenos Aires, estive na Casa de Tango Piazzolla para assistir a um espetáculo com muito som e dança.

Casa de Tango Piazzolla

Nessa ocasião, visitando a Catedral, que fica na Plaza de Mayo, tive a oportunidade de assistir a um acontecimento histórico que, com certeza, sempre estará na memória do povo argentino e que nos fez lembrar que nem tudo eram flores.
Era a "passeata" das "madres de La Plaza de Mayo” (mães da Praça de Maio), que se realizava em todas as quintas-feiras no local. As mães haviam iniciado sua marcha semanal da resistência no ano de 1981, e continuavam firmes com seus lenços brancos, circulando na praça, bem na frente da Casa Rosada (Palácio Presidencial), para protestarem contra o desaparecimento de seus filhos (e netos) durante os anos da ditadura militar. Mantiveram essa rotina durante 25 anos, encerrando-a no ano de 2006, provavelmente por problemas de idade e saúde.
Abaixo, foto hindsight (site www.abc.net.au).



Retornei ao Brasil com a imagem das mães, com o som e a visão do tango, com o prazer das “confiterias” e com o sabor delicioso dos ”alfajores”, que sempre faziam parte das lembranças de viagem. Hoje, em São Paulo, já se compra “alfajores” com muita facilidade. Há “confiterias” e vários pontos de venda dos “alfajores” Havana, da Argentina.


Em 1989, nova viagem a Buenos Aires. Sempre havia algo para ser visto e revisto, além da oportunidade de se escutar muito tango e milongas. Dessa vez conhecemos o teatro Colón, numa visita monitorada, e ficamos hospedados num hotel na Av. Carlos Pelegrino, uma das laterais da Avenida Nove de Julho, avenida larguíssima e onde fica o Obelisco. Voltamos à Feira de San Telmo, com um número grande de barracas de antiguidades, sempre com um par de dançarinos de tango apresentando-se ao ar livre, e com os arredores repletos de edifícios antigos, onde se encontram muitos antiquários. Voltamos, também, às enormes livrarias de Buenos Aires, sendo que nos últimos anos a “Ateneo” instalou-se num antigo teatro.
Ainda durante essa viagem fizemos um passeio até o Delta do Rio Tigre, passando por San Isidro, e parte do passeio foi feita em barco. Anos depois repetimos o passeio até San Isidro, indo pelo “Tren de La Costa”, que percorre a beira do rio da Prata até chegar ao Delta, e que tem paradas nas cidades do caminho.
A partir da década de 90, aconteceram outras viagens para Buenos Aires, que me permitiram observar as inúmeras mudanças trazidas pelo passar do tempo e por modificações de costumes.
Em 1990 foi inaugurado o “shopping Galerias Pacífico", ocupando uma quadra inteira, com quatro entradas, sendo uma pela “Calle Florida” . É um prédio lindíssimo, cuja construção data do século XIX. Teve várias utilizações até que ficou em abandono durante muito tempo e terminou transformado num lindo centro de compras, com lojas de marcas famosas, sapatarias requintadas, cafeterias charmosas e um centro cultural no seu último andar, o Centro Cultural Borges.
Galerias Pacifico

Depois foram surgindo outros “shoppings” o que trouxe uma profunda alteração no comércio de rua. Penso que essa foi uma mudança ocorrida quase que em todo o mundo mas, em Buenos Aires, o surgimento dos “shoppings” praticamente acabou com aquelas horas prazerosas passadas nas “confiterias” de rua. Muitas sumiram dos caminhos por onde se passeava, e passaram a se localizar no interior dos centros comerciais. Acho que muito do charme existente na paradinha para o café, nas várias “confiterias”, diminuiu bastante.
O “Caminito”, no bairro de “La Boca”, ficou bem mais cuidado, com suas casas de cores vivas e telhados de zinco. Com o tempo tornou-se um museu ao ar livre, com “estátuas” humanas e dançarinos de tango, da mesma forma que San Telmo.
E uma das grandes mudanças foi o surgimento do “Puerto Madero”, no Rio de La Plata, com a reabilitação dos antigos e abandonados armazéns das docas, que passaram a sediar restaurantes, escritórios e galerias de arte. À noite, o movimento em Puerto Madero é muito grande, e os restaurantes se esmeram naquilo que oferecem.

Puerto Madero


Nas últimas viagens aproveitamos muito o Café Tortoni que, inaugurado em 1858, teve entre seus freqüentadores Carlos Gardel, Jorge Luis Borges e Alfonsina Storne (imortalizados por estátuas numa mesa do café). Fica na Av. De Mayo e é lindo, com vitrais, espelhos, mármore e madeira escura. Todas as noites acontecem shows de tango em duas salas do Café Tortoni. São shows intimistas de muita qualidade.


Em 2005 ficamos hospedados num hotel próximo do prédio do Congresso, muito imponente, com cúpula verde e projeto inspirado no Capitólio de Washington. No centro da “Plaza Del Congreso” há um monumento, e é dessa praça que sai a Av. De Mayo, com muitos edifícios que lembram cidades européias.



Nessa mesma época assistimos a um espetáculo maravilhoso no Teatro Astral, na Av. Corrientes, o musical Tanguera, o mais premiado da temporada. Visitamos também, entre outros lugares, o Museu de Arte Moderna Latino-americano de Buenos Aires, o MALBA, em cujo acervo se encontra o Abapuru, da nossa Tarsila do Amaral, e obras do Di Cavalcanti e outros artistas brasileiros.
Voltamos mais duas vezes a Buenos Aires, no ano de 2008. Uma, em escala do nosso cruzeiro pelo Costa Vitória, que partiu de Santos. Foram só dois dias em Buenos Aires, bem acomodados no ótimo navio, mas que renderam bastante. Além de passeios, fomos assistir ao show da casa de tango Señor Tango.
A outra, quando chegados de avião a Buenos Aires, embarcamos no maravilhoso Star Princess para um cruzeiro pela Patagônia. Como o tempo foi mais corrido, aproveitamos para ir a Puerto Madero, onde jantamos muito bem, Galerias Pacífico, por sua beleza, e Confiteria Richimond, na Florida.
Não sei se esqueci algum detalhe importante, mas com certeza ainda terei a oportunidade de voltar a Buenos Aires e poderei completar esse roteiro.

E aqui, coloco algumas fotos do meu acervo pessoal, das diversas épocas:

Caminito em 1976


Caminito em 1989


Caminito em 2003



Plaza de Mayo - Casa Rosada - 1986

Plaza de Mayo - Casa Rosada - 2003

"Las Madres da Plaza de Mayo" 1986

Calle Florida - Estátua viva - 2003
Feira de San Telmo - 2003

Casal de Estátuas vivas - San Telmo - 2003

Calle Florida - 2003

Passeio pelo Rio Tigre - 2003


San Isidro - 1989


" Cafe Tortoni" , para pequenas refeições ou ótimos shows de tango e milonga.

Frequentadores ilustres, imortalizados.




Plaza San Martin - 2005